Diante desse quadro, faz-se a seguinte pergunta: o corpo gestor da RFB concorda com essa distribuição? Se não concorda, o que vem fazendo para ajustá-la, mesmo que de forma gradativa? Essa pergunta já foi feita em várias oportunidades para administradores do Órgão. Alguns esquivam-se da resposta, outros reconhecem a distorção e declaram que é preciso ajustá-la. Poucos ou quase nenhum deles defendem esse quadro.
O volume de saída de Auditores-Fiscais é hoje superior ao de Analistas-Tributários, mesmo esse segundo cargo registrando um volume muito alto de vacâncias por posse em outro cargo inacumulável. E isso se deve, sobretudo, ao maior número de aposentadorias de Auditores-Fiscais. O fato, por si só, contribuiria para que, ao longo do tempo, a proporção entre o total de cada um dos cargos fosse ajustada.
No entanto, contradizendo o discurso, a prática adotada pela administração central do Órgão deixa claro que, mais do que deixar de intervir para correção da pirâmide, ela busca a manutenção ou a acentuação desse quadro. Recente estudo de lotação elaborado pela Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas – Cogep afirma que o deficit de Analistas-Tributários (55,57%) é superior ao de Auditores-Fiscais (41,43%), mesmo partindo de proporção já distorcida de 16.999 ATRFB para 20.420 AFRFB (quantidade de cargos disponíveis, segundo Portaria RFB n° 2.261, de 11/03/2011).

A declaração contida no parágrafo anterior é reforçada pelo seguinte episódio recente: o Ministério da Fazenda, por proposta da RFB encaminhou ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão MPOG, no final de junho, pedido de abertura de concurso público para preenchimento das seguintes vagas, nos próximos quatro anos:
| Ano | Auditor-Fiscal | Analista-Tributário | ATA Nível Médio | ATA Nível Superior |
| 2012 | 1210 | 1050 | 2500 | 90 |
| 2013 | 1238 | 1070 | 2000 | 60 |
| 2014 | 1266 | 1100 | 1500 | 50 |
| 2015 | 1295 | 1130 | 1000 | 50 |
Assim, fica claro que a atual administração do Órgão concorda com a proporção atual entre o total de integrantes dos cargos da Carreira de Auditoria. Fica claro também que, diferentemente do que afirmou o atual secretário no início de sua gestão, a administração segue contaminada pelo corporativismo nocivo que prioriza a super valorização do cargo de Auditor-Fiscal em detrimento dos demais. Por esse motivo, é muito provável que essa administração continuará evitando um debate que busque, com seriedade e isenção, definir claramente as atribuições de cada cargo.
Conclusão óbvia, mas importante que seja repetida: toda e qualquer mudança que venha a promover um melhor aproveitamento da força de trabalho da RFB terá que vir de fora para dentro.
Fonte: CABRESTO E SINDIRECEITA
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