Corregedor-geral apontou existência de esquema envolvendo encomenda externa de informações
BRASÍLIA - O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D`ávila, informou há pouco que a Receita identificou o esquema de compra e venda de informações fiscais envolvendo a violação de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e outras pessoas ligadas ao comando do partido. Segundo ele, o esquema envolvia pagamento de propina e encomenda externa. "Há indícios de que há um esquema. Foi identificado um esquema de compra e venda", afirmou há pouco o corregedor, em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda.
Na próxima segunda-feira, a corregedoria encaminhará duas representações para o Ministério Público (MP) contra os servidores envolvidos no suposto esquema de quebra do sigilo fiscal. Segundo ele, as informações levantadas até agora já dão indícios suficientes sobre o envolvimento dos servidores.
Reportagem na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo revela que a análise das 450 páginas da sindicância da Receita Federal sobre a violação de sigilo de Eduardo Jorge mostra que o órgão estava, até então, poupando os servidores suspeitos de envolvimento no caso.
Receita diz que há indícios de esquema
de venda de informações dentro do órgão
De acordo com corregedor-geral, pessoa de fora da Receita faria intermediação
Marian Londres, do R7, em Brasília
- Já enviamos duas representações criminais para o Ministério Público com os indícios de que há um esquema de compra e venda de informações, o que será ainda investigado pela Receita.
A Receita Federal convocou hoje uma entrevista coletiva para dar esclarecimentos sobre as investigações de violação de sigilo fiscal que estariam ocorrendo dentro da instituição- entre elas de quatro pessoas ligadas ao PSDB.
Um processo da corregedoria investiga acessos não justificados às declarações de Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira e de mais três tucanos, além da apresentadora Ana Maria Braga e dos donos das Casas Bahia.
Todos os acessos não teriam sido motivados pelo trabalho da Receita em investigar contribuintes – sendo, portanto, quebra de sigilo. As investigações até agora apontam que os acessos foram feitos numa agência da Receita de Mauá, na Grande São Paulo, por duas funcionárias suspeitas de participação no crime.
- Há indicios de intermediação de uma pessoa de fora da Receita, de um balcão de compra e venda de informações.
A Polícia Federal também investiga o caso, e apura as representações criminais.
A Corregedoria disse ainda que pediu o indiciamento das funcionárias suspeitas, e que elas terão prazo legal para a defesa.
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