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6 de setembro de 2010

Analista da Receita diz que acessou dados de 'homônimo' do vice-presidente do PSDB

06/09/2010 - 16h46

PAULO PEIXOTO
ENVIADO ESPECIAL A FORMIGA (MG)

Em uma entrevista que durou nove minutos, realizada em um estacionamento atrás do prédio da agência da Receita Federal em Formiga (a 210 km de Belo Horizonte), o analista tributário Gilberto Souza Amarante negou nesta segunda-feira (06) que tenha acessado os dados cadastrais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Ele disse que o caso diz respeito a um "homônimo".

"Nesse episódio, os levantamentos que fiz, que fizemos... o acesso foi feito durante horário de expediente, no atendimento. Há vários casos de homônimos com esse nome Eduardo Jorge. A nossa base [de dados] é nacional. Então, o que é factível é que houve um homônimo e esse acesso durou 41 segundos apenas, não foram dez acessos", disse ele.

"O sistema registra cada mudança de página como um acesso. Então foi um acesso só. E mais: foi acessada uma base cadastral, cadastro. Não foi acessado nenhum tipo de dado fiscal. Cadastro quer dizer nome, telefone", acrescentou, dizendo que há 17 anos faz esse tipo de serviço "várias vezes por dia". "A minha função é acessar dados", disse.

Amarante disse que somente no final de semana tomou conhecimento de que, em abril do ano passado, acessou os dados cadastrais de um Eduardo Jorge, porque a imprensa registrou o documento da investigação do caso. Disse que acessa dados várias vezes por dia e não tem condições de lembrar o que acessou há um ano e cinco meses.

De acordo com Amarante, é preciso acessar o sistema muitas vezes para saber inclusive se a pessoa que está diante do analista da Receita é de fato a pessoa que disse ser.

Se o titular do CPF não for à Receita, a consulta ao cadastro pode ser feita por meio de uma procuração para terceiro. Mas esse documento não fica registrado.

Segundo Amarante, "a hipótese mais provável" para o que aconteceu em abril do ano passado é que um EJ foi à agência da Receita Federal em Formiga (MG).

Sobre sua filiação ao PT, ele disse: "é bom a gente desfazer um outro equívoco que está fazendo indevidamente o caso ganhar uma proporção que não tem. É bom frisar que filiação partidária não se confunde com militância partidária. Nunca tive nenhum tipo de militância partidária".

Questionado sobre o motivo de ter se filiado, afirmou que quando chegou à cidade o chamaram para participar de uma reunião e lá e foi convidado a se filiar. "Fui em uma reunião, talvez em outra e nesses nove anos está assim resumida a minha filiação."

Ele disse que não se lembra de quem abonou a sua ficha de filiação e que foi atendendo a um pedido de um ex-presidente do PT de Arcos (a 30 km de Formiga) que foi para essa reunião. Declarou que não mantém nenhum tipo de vínculo e nem contribui financeiramente com o partido.

O analista negou também conhecer e ter relacionamento com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o jornalista Amaury Ribeiro Júnior --que trabalhava no comitê de imprensa da candidata Dilma Rousseff (PT). Negou também conhecer o contador Antônio Carlos Atella.

Ao iniciar a sua fala, Amarante afirmou que estava "altamente constrangido, indignado com a forma que as notícias estão sendo veiculadas, porque eu também sou cidadão e tenho direitos".

Amarante estava acompanhado do delegado sindical da Delegacia da Receita Federal de Divinópolis, André Luiz Fernandes, e do chefe da agência de Formiga, Jorge Faria.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/794813-analista-da-receita-diz-que-acessou-dados-de-homonimo-do-vice-presidente-do-psdb.shtml



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