Roberto Maltchik, Sérgio Roxo e Silvia Amorim
BRASÍLIA e SÃO PAULO - O advogado da filha do presidenciável José Serra (PSDB), Sérgio Rosenthal, afirmou nesta sexta-feira que os dados cadastrais do marido de Verônica Serra, Alexandre Bourgeois , também foram obtidos por meio de uma procuração falsa apresentada pelo suposto contador Antonio Carlos Atella à Delegacia da Receita Federal em Santo André (SP). (Confira a cronologia do escândalo na Receita)
Após ter acesso ao inquérito da Polícia Federal que investiga a quebra de sigilos fiscais na Receita, o advogado explicou que a procuração tinha carimbo falsificado do 16º Tabelião de São Paulo, o mesmo cartório que Atella usou para quebrar o sigilo da filha de José Serra. A procuração, segundo informação da PF, chegou à sede da Receita no ABC em 29 de setembro de 2009. No mesmo dia, Atella assinou a procuração falsa, que serviu para violar o sigilo fiscal de Verônica.
- Foi utilizado o mesmo procedimento criminoso que permitiu o acesso ao sigilo da Verônica Serra - explicou Rosenthal, que disse ter ficado surpreso com a informação.
O advogado esteve pela manhã na sede da PF para marcar a data do depoimento de Verônica - que está no exterior a trabalho e deve voltar no sábado - e Bourgeis e, pela primeira vez, teve acesso à investigação. O casal será ouvido na próxima quarta-feira. O horário ainda não foi definido. Um dos objetivos da PF é colher a assinatura de Verônica para confrontá-la com a rubrica que consta na procuração apresentada à Receita, e que teria sido falsificada.
Em entrevista ao GLOBO na semana passada, Atella afirmou que encaminhara à Receita um 'lote' de pedidos e que não se lembrava quem o havia contratado para este serviço. Mais tarde, porém, o contador atribuiu o pedido ao colega, Ademir Estevam Cabral, que negou na quinta-feira em depoimento à Polícia Civil qualquer envolvimento no episódio . Curiosamente, a procuração que já chegou ao inquérito criminal, não consta da documentação elencada no processo administrativo da Receita Federal, que investiga a atuação ilegal de servidores do Fisco de Santo André (SP) e de Mauá (SP) com o episódio.
Além da quebra de sigilo fiscal, Alexandre teve os dados cadastrais acessados em 16 de outubro de 2009 da Delegacia da Receita Federal em Mauá. O acesso ocorreu a partir do terminal usado pela servidora do Serpro, Adeildda Ferreira Leão dos Santos, de onde também foram extraídas ilegalmente cópias das declarações de Imposto de Renda de vários líderes tucanos e aliados de Serra. Entre eles, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. O advogado de Adeildda, Marcelo Panzardi, afirma que sua cliente está sendo usada por "alguém", que teria praticado ilegalidades usando o computador dela.
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