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9 de novembro de 2010

OPERAÇÃO TREM FANTASMA: 5 AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PRESOS

PF apreendeu cerca de US$ 1 milhão em espécie

Andressa Tufolo
Direto de São Paulo

Foto Polícia Federal/Divulgação


A Polícia Federal (PF) prendeu até as 13h desta terça-feira 23 pessoas durante uma operação para desarticular uma quadrilha especializada em fraudar o comércio exterior, principalmente com o contrabando de mercadorias que chegavam ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP). Segundo a PF, cinco auditores fiscais da Receita Federal estão entre os presos. Cerca de US$ 1 milhão em espécie foram apreendidos na ação.

A operação Trem Fantasma tem o objetivo de cumprir 29 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Segundo a PF, duas das 23 prisões foram efetuadas em Pernambuco, enquanto as restantes ocorreram em cidades paulistas.

Segundo a Polícia Federal, a operação teve início há cerca de um ano. Além dos 23 presos nesta terça-feira, outras nove pessoas foram detidas ao longo das investigações, incluindo um agente e um delegado aposentado da PF presos no Rio de Janeiro.

A quadrilha era composta por empresários, despachantes aduaneiros, empregados de companhias aéreas e servidores públicos, que através de importações irregulares introduziam em território nacional mercadorias importadas (equipamentos eletrônicos, informática e hospitalares) provenientes principalmente dos Estados Unidos e China.

Os responsáveis pelas investigações informaram que as mercadorias irregulares chegavam ao País através de duas operações ilegais distintas. Na primeira, a quadrilha designava dois caminhões para recolher a carga desembarcada no aeroporto de Guarulhos. Enquanto eles descarregavam os equipamentos eletrônicos e materiais hospitalares em um dos veículos, os suspeitos colocavam mercadorias de menor valor, como mesas de escritório, no segundo caminhão, que passava pela estação aduaneira do aeroporto. Dessa forma, os equipamentos que realmente interessavam à quadrilha entravam no País sem serem declaradas à Receita.

A segunda prática utilizada pela quadrilha ocorria em voos internacionais que faziam escala em São Paulo. Apesar de as aeronaves não terem registro oficial de desembarque de mercadorias em solo brasileiro, o grupo recolhia os equipamentos em um caminhão no aeroporto de Guarulhos, sem registrá-los na alfândega.

De acordo com as investigações, estima-se que cerca de 80 toneladas de mercadorias por ano eram introduzidas no País, causando um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 50 milhões.

Segundo a Polícia Federal, autoridades americanas em Miami, na Flórida (Estados Unidos), também realizam nesta terça-feira uma diligência no armazém da empresa que enviava os produtos para a organização criminosa no Brasil. O superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra, afirmou que está em contato com as equipes americanas para trocar informações sobre a atuação da quadrilha.

"Temos todas as informações de como funcionava o esquema e analisaremos o que já foi apreendido", disse o superintendente, durante entrevista coletiva em São Paulo. "Buscas estão sendo feitas em clientes para ver como era feita a receptação", afirmou. Além de Coimbra, participaram da entrevista o delegado Vladmir Pacine Schinkarew, o corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D'Avila Carvalho, e o chefe de escritório da Corregedoria da Receita Federal, Guilherme Bibiani Neto.

Fonte: TERRA

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